segunda-feira, 10 de março de 2014

Dia 7 - De Malmo a Antuérpia, na Bélgica (excerto do primeiro esboço do livro!)




"Vilnis ofereceu-se para dividir o seu almoço comigo, generosidade que aceitei, sem saber bem o que é significava... onde raio é que ele tinha o almoço? Descobri pouco depois, quando o vejo tirar um fogão (sim, daqueles de campanha, com um bico apenas) de um armário e a montá-lo no meio da cabina! Abriu o tecto de abrir, no topo do camião, à laia de chaminé, pegou numa panela, em algumas caixas de plástico que estavam no frigorífico, cortou uns legumes frescos, juntou água e voilà, sopa de carne ao lume!
 
Já alguma vez vos disse como odeio sopa de carne?... Pois bem, ali estava eu com ela à frente, preparado para mais um passo fora da caixa. Só não sabia o que me esperava! Ao meter uma colher de sopa à boca tive uma epifania culinária: como é que raio aquilo podia ser TÃO BOM?! Sim, era sopa de carne; sim, tirávamos os pedaços de carne para um prato e comíamos à mão entre as colheradas de caldo; e sim, o sabor era fabuloso! E tinha sido feita num camião... Onde é que esta receita tinha andado toda a minha vida?! Escusado será dizer que comi e chorei por mais. Mas além do sabor em si houve outra coisa que me aqueceu o coração: aqui estava aquele homem, que nunca me vira, e que decidira partilhar o seu espaço, o seu dia e a sua comida comigo, de forma totalmente altruísta e despreocupada... Marcou-me a sua generosidade, a sua transparência e a forma humilde como tudo aqui se estava a passar. Muito obrigado, Vilnis, muito obrigado!"

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Dia 6 - De Malmo a Travemunde, já na Alemanha (excerto do primeiro esboço do livro!)

" Acabei por voltar ao piso 6 do ferryboat, que agora estava deserto, e decidi espreitar a sauna (coisa que nunca havia experimentado!). Apercebi-me nessa altura que, ao contrário do que eu pensara, a sauna estava a funcionar e era gratuita! E, além disso, descobri que havia um balneário com CHUVEIROS!! E eu sem tomar banho há mais de um dia e com o corpo cansado e “melado” de um dia a correr com a tenda às costas e a suar que nem um bicho!! Voltei ao piso 4, peguei nas minha coisas e corri literalmente para o balneário. Despachei toda a roupa suja para o saco respectivo, preparei uma muda de roupa lavada, guardei tudo no cacifo e parti à descoberta da sauna... foi óptimo! Depois de destilar uns bons dez minutos tomei um duche ligeiro e voltei à sauna, para ter a certeza que o meu corpo aproveitava o memento! O passo seguinte foi um duche a sério, com o meu sabão azul a fazer com que me sentisse o homem mais limpo do mundo! Como aquilo era bom: água quente e fria à descrição, sabãozinho a fazer espuma e uma muda de roupa prontinha à minha espera! Estava no céu! Escusado será dizer que passei cerca de uma hora neste ritual todo, e quando voltei por fim ao piso 4 despachei as últimas bolachas, acomodei as minhas coisas, peguei na almofada insuflável e no saco cama (foi a primeira vez que os usei) e caí redondo a dormir no sofá da sala de convívio."

NOTA: este texto é apenas um excerto do primeiro esboço do livro, não o texto final. 

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Dia 5 - de Estocolmo a Malmo (excerto do primeiro esboço do livro!)


"Acordei num quarto quente... uau, que sensação deslumbrante! Nesta altura já tinha descoberto quão grandioso este facto pode ser, por isso o meu dia não podia começar melhor! Mas podia...
Ao subir à sala de jantar deparei-me com a mesa de pequeno-almoço repleta de coisas boas: pão deste tipo e daquele, pacotes de litro de iogurte deste e daquele sabor (blueberry, sem dúvida o melhor!!), manteiga, queijo, caviar em bisnaga, e aquela vista fabulosa que agora se enxergava em pleno (ao contrário do vislumbre que tivera ao jantar)"

NOTA: este texto é apenas um excerto do primeiro esboço do livro, não o texto final.

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Dia 4 - Em Estocolmo (excerto do primeiro esboço do livro!)


"Esperavam-me Niclas e as meninas, que apenas conhecia do facebook, um lar quente, moderno e acolhedor e umas “sandochas” gigantes, DELICIOSAS! Ah, e no andar de baixo um quarto com uma cama só para mim, e um chuveiro... com chão aquecido! Foi talvez o duche mais maravilhoso da minha vida, e aqui se começou a desenhar uma das principais conclusões desta viagem: já temos muito mais do que pensamos! Nem nos apercebemos, mas um simples duche quente que tomamos como algo adquirido na nossa sociedade, é uma coisa MARAVILHOSA! Só quando perdemos a possibilidade de o tomar é que entendemos verdadeiramente o dom que representa, e asseguro-vos: tomar banho será sempre, daqui em diante, um acto de consciente alegria e regozijo! Viva o duche de água quente!!!"

NOTA: este texto é apenas um excerto do primeiro esboço do livro, não o texto final.

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Dia 3, de Skelleftea a Estocolmo (excerto do primeiro esboço do livro!)

"Pi-pi, pi-pi, pi-pi... são duas da manhã!, como que sussurra o meu relógio. Dei um salto na cadeira, peguei na mochila e afins e fui até à gare exterior, onde o comboio chegaria em cinco minutos. Ah, já referi que estava frio?... Pois bem, os cinco minutos de espera foram a situação fisicamente mais extrema que passei na viagem, ou melhor, na minha vida! Se durante o dia tinham estado -20ºC e a temperatura já era bem mais baixa quando tinha estado à espera do Y-bus, agora estava mesmo mesmo mesmo MUITO frio... cerca -30ºC, estimei na altura. Em um minuto tremia como varas verdes, pelo que decidi andar pela gare em passo bem acelerado para aquecer. Foi em vão: quando o comboio chegou eu sentia-me fisicamente muito estranho e encolhia conscientemente a língua para não me cortar tal a violência com que batia descontroladamente os dentes! Nunca sentira nada parecido, não sei se estava em hipotermia ou só lá perto, mas que era algo assustadoramente novo, era! Procurei o revisor e tentei explicar-lhe a história, mas foi uma tentativa no mínimo hilariante: eu tentei falar, sim, mas não consegui articular as palavras direitas, só batia os dentes! Ele lá percebeu que eu queria ir para Estocolmo mas que não tinha bilhete nem dinheiro, pelo que me explicou que assim não podia embarcar, mas eu não estava disposto a desistir: dizem que é quando estamos no limite que a nossa verdadeira força se solta, pelo que pedi outra vez que me deixasse seguir viagem! Pedi, simplesmente: já não se tratava de contar a história ou de ele gostar do projecto, tratava-se de eu sobreviver e sair dali ao mesmo tempo, que era o que mais queria! Talvez por me ver naquele estado, ou por me ver tão determinado a ultrapassar aquela situação, o revisor mudou de ideias: mandou-me entrar, disse-me para procurar um lugar vazio e explicou que passaria para falar comigo depois... Se passou ou não não sei: sei apenas que encontrei dois bancos livres, poisei as minhas coisas, tirei umas fotos, tomei umas notas no caderno, cobri-me com o saco-cama e encaixei-me meio torcido entre a janela (e o aquecimento por baixo dela) e o apoio de braço... Adormeci em poucos minutos."

NOTA: este texto é apenas um excerto do primeiro esboço do livro, não o texto final.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Dia 2, chegada a Skelleftea (excerto do primeiro esboço do livro!)



"Fui à procura de uma solução para almoçar, que a fome apertava e Nestum não era almoço digno. Comecei por propor na cantina da universidade umas horas de trabalho em troca de uma refeição... não. Aliás, “não” era uma palavra que me acompanharia durante a viagem, à qual há muito aprendera a resistir e a ultrapassar com uma simples palavra inglesa, “next!” (próximo!), pelo que atravessei novamente a ponte e decidi fazer a mesma proposta em restaurantes da cidade. 

Comecei por fazê-lo num restaurante de sandes: “Olá, chamo-me Ricardo, sou de Portugal e estou a fazer um projecto... blá, blá, blá (como vocês já sabem). É possível trabalhar aqui uma ou duas horas em troca de uma refeição?”. 
A menina simpática que me recebeu pediu que explicasse outra vez, conferenciou com a colega em sueco, e acabou por me explicar que não podiam aceitar... podiam era dar-me uma sandes, se eu achasse bem! “Por mim pode ser!”, e foi quase a babar-me que a vi encher um pão enorme de tudo o que havia na bancada!!! Sim, ter apenas uma refeição de Nestum na mala muda a forma como vemos o mundo, faz-nos sentir MESMO o que significa não ter o que comer, não saber o que se vai comer... Passa a ser algo real e muito palpável, pelo menos para mim passou, e levou-me a olhar para a minha vida e a agradecer tudo o que tenho e que assumo como garantido de uma forma diferente, com uma gratidão real e profunda! E já agora, a agradecer às meninas simpáticas que ali me ajudaram como não imaginam!!"

NOTA: este texto é apenas um excerto do primeiro esboço do livro, não o texto final... É só para aguçar a curiosidade! 

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Dia 1 (excerto do primeiro esboço do livro!)


Eram 3:30 quando o relógio despertou freneticamente, relembrando a hora de zarpar. O corpo lá respondeu, que depois de meia-hora de sono ainda nem tinha arrefecido, e a mente começou a processar todos os detalhes, tarefas e coisinhas que a fazer antes de sair. Estava na hora, a grande viagem estava a começar.
Pequeno-almoço tomado, tralha reverificada, mochila às costas, casaco e calças de bolsos cheios (que a Ryanair a isso obriga), e lá seguimos para o aeroporto. O sono ainda pesava aos miúdos, que pelo caminho foram dormitando, mas não a mim: cá dentro sentia bem forte que agora era o dia e a hora da aventura que mudaria as nossas vidas, o dia e a hora em que passaria da teoria à acção, era HOJE. E se por um lado o entusiasmo era indescritível, por outro lado confrontava-me pela primeira vez com a real dimensão do que me propusera fazer, com a adrenalina de ver chegada a hora do tudo ou nada. Ao sair de casa, colocando a mochila no carro, sabia que desse por onde desse chegaria de volta são e salvo, isso não me preocupava: a questão era “Como?...”. Essa questão, porém, ocupou-me a mente só ao de leve, pois no fundo o que importa é o que vamos fazer, o como acaba por surgir, como se de um GPS se tratasse: dizes-lhe o destino e o percurso aparece. Como tudo isto é uma certeza para mim decidi concentrar-me no objectivo e pronto: voar para Skelleftea, no norte da Suécia e voltar inteiro, sem computador, telemóvel ou dinheiro!

NOTA: este texto é apenas um excerto do primeiro esboço do livro, não o texto final... É só para aguçar a curiosidade!

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Quase um ano depois!...

Há um ano atrás o meu quarto tinha o aspecto desta imagem da capa, eu andava numa correria e preparava-me para uma das maiores aventuras da minha vida.

Hoje, com o livro quase terminado, o desafio é diferente: escrever, rever, editar, corrigir, publicar, publicitar, fazer chegar ao grande público, encontrar editora interessada em publicar cá e em todo o mundo... tudo coisas pequenas e fáceis, que nada puxam pelo me engenho!

Agradeço a todos os que me têm apoiado e incentivado para levar o projecto a bom porto, e agradeço os feedback positivos que tenho tido de quem leu já um pouco do livro... ESTOU QUASE LÁ!

Para relembrar esta viagem mítica vou lançar uma foto por dia, com um pequeno excerto do dia em causa... para aguçar o apetite! Boas leituras!!

domingo, 15 de dezembro de 2013

Recomeçando!

Há momento  na nossa vida em que parecemos uma avestruz! 
Foi o que me aconteceu quando há umas semanas me assaltaram o carro, partindo um dos vidros e levando, entre outras coisas, a mala com o meu portátil e o caderno de viagem do Pé Descalço... Perdi metade do que já tinha escrito e as minhas notas e referências da viagem... só!!

Este episódio deixou-me mais abalado do que pensava no que toca à "pedalada" com que estava a escrever: aqui entre nós foi penoso escrever o que quer que seja nas últimas semanas!

Para este problema, como para todos os outros, a solução pode requerer que se peça ajuda, o que fiz quando me dei conta do estado de negação em que estava. Foi assim que convidei a Paula, a minha editora, para almoçar connosco ontem, dando-lhe a oportunidade que ela tanto esperava de me dar um raspanete monumental e assim me por a escrever de novo... o que não aconteceu. 

Em vez do raspanete tivemos, porém, uma longa conversa, sobre o livro e não só, que culminou com um acordo de marcação cerrada, para que eu mantenha o foco. Resultado? Hoje terminei outro capítulo, e o meu compromisso para com todo o mundo é terminar até 31 de Dezembro pelo menos todos os capítulos da viagem!

Obrigado Paula, pelo teu apoio e dedicação a este projecto... e por me aturares mesmo quando parecia uma avestruz!!

sábado, 5 de outubro de 2013

Mais uma participação de peso!

Pois é, o livro mais aventureiro da ano lá vai crescendo, passo a passo. Desta vez, porém, a dose é dupla: por um lado conto com a participação da minha amiga Christina Skytt, que se dedica há décadas ao coaching empresarial (tem no seu portfolio nome de clientes como Carlsberg ou Apple!), com a sua fantástica história da casa amarela (desvendarei o "enigma" no livro!); por outro, a Christina está a lançar um livro sobre como atingir metas "poderosas", aquelas que mudam a nossa vida por completo, aquilo a que chama powergoals... e imaginem quem participará neste seu livro?... O PÉ DESCALÇO!! A minha aventura será tópico de um livro de desenvolvimento pessoal que será vendido no mundo todo... IUPPIIIII!!!!!!!! A vida é bela!

domingo, 8 de setembro de 2013

Um livro a crescer

Hoje cheguei às 90 páginas! Parece pouco, mas do ponto de vista de quem as escreveu garanto-vos: NÃO É!
Mas mais do que isso cheguei ao capítulo do Logan, um amigo que conheci nos USA, em Agosto de 2012, quando ele levantou em apoteose toda a gente da sala com a sua história fantástica!

Estávamos nos últimos dias do "Breakthrough to Success", um programa de desenvolvimento pessoal intensivo de um senhor muito especial, Jack Canfield, quando o rapaz tímido de cabelo comprido se levanta e diz que gostaria de partilhar connosco a sua história. "Há um ano eu era um sem-abrigo, perdera tudo e vivia basicamente na rua", começou, e ali percebi que havia algo especial: ele era auto-suficiente agora, apenas um ano depois de ter lido o "Success Principles", o livro do Jack Canfield que o ajudou a mudar a sua vida!

Entrevistá-lo, ouvir a sua história e escrever um capítulo sobre ele foi uma honra para mim. Como é uma honra saber que a sua história me ajudará, integrada no meu livro, a melhorar a vida de muitas pessoas!
Obrigado Logan, Obrigado Jack Canfield... Um grande obrigado, é só o que me ocorre!

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Cá vamos nós outra vez!



Depois de alguns meses à volta com a escrita... bem, o livro ainda não está pronto! A tarefa está a revelar-se mais dura do que previa, pelo que continuarei na luta até conseguir editá-lo (muito provavelmente em papel).

Por agora estou a preparar-me para a primeira conferência sobre o projecto, que será hoje à noite no Ignite, em Braga. Será a primeira vez que apresento o projecto após a sua realização, pelo que o sentimento oscila entre a ansiedade e o entusiasmo. Correrá bem, estou certo, e será mais um passo rumo ao objectivo final, o livro.

Obrigado a todos os que até agora acreditaram em mim, tenho a certeza de que vou conseguir chegar lá!

quinta-feira, 7 de março de 2013

Cheguei!

À chegada
Um abraço sentido do meu pai!
Fizeram-me um mural no infantário da Mundos de Vida!
Pois é, cheguei... há 3 semanas!!
A todos os que acompanham o blog e o projecto agradeço a paciência para 3 semanas de poucas novidades. Então o que aconteceu? Bem, passei 3 semanas a tratar de tudo o que não tratei quando andei em viagem!

Mas vamos à chegada em si!
Após 13 dias de viagem cheguei são e salvo à Mundos de Vida, no Lousado (Famalicão) no dia 19 de Fevereiro. 

Tinha à minha espera a minha família (a Sofia e os meninos), os meus pais, o meu irmão, a equipa da Mundos de Vida, jornalistas e o infantário em peso! Foi um momento particularmente comovente: por um lado chegara, são e salvo, depois de mais de 4.000 km's de desafios, mas por outro lado chegava outra pessoas que não a que partira para a Suécia, fruto das aprendizagens, experiências e descobertas que fiz. Mas vamos Às diferenças!

Sou uma pessoa mais despreocupada: agora sei, mais do que nunca e com uma forte experiência a suportá-lo, que cada problema pode ser resolvido, passo a passo, com determinação, alegria, foco na solução (deixando as lamúrias e queixumes de lado) e acreditando intensamente que vamos conseguir dar a volta.

Com os meninos do infantário, a contar a viagem
Com a equipa da Mundos de Vida
Sou uma pessoa mais feliz: não saber onde vou dormir, não saber o que vou comer ou como vou sair daqui, como vou avançar, todas estas coisas que agora SEI de forma real levam-me a dar muito mais valor a tudo o que já tenho, a tudo o que na minha vida me ajuda a viver melhor, mais confortável e com mais tranquilidade! No fundo é a sensação de simplificação que tanto defendo: se tiver um Bentley ficarei certamente contente, mas também vivo feliz sem carro!

Sou uma pessoa mais confiante nos outros: se nos mantivermos positivos e permitirmos ao mundo que nos rodeia alguma margem de manobra aparecerão as pessoas e recursos para nos ajudar, e podem crer que há gente boa e disponível em todo o lado, mesmo quando parece que nada corre bem!

A minha família!
A chegada foi algo surpreendente para mim: sabia que teria jornalistas, sabia que estaria a minha esposa, mas não tinha a certeza de muito mais! Os "nossos" meninos (em regime de acolhimento familiar), o meu irmão e os meus pais foram uma "quase-surpresa" (já desconfiava), mas além disso estava lá toda a equipa da Mundos de Vida e o infantário todo!!

Com os jornalistas que me esperavam
Aproveitei para cantar alguma músicas com os meninos e depois respondi às preguntas (deles e dos graúdos!) sobre a viagem, as peripécias, como tinha vindo, onde dormi, enfim, um sem-número de coisas que todos quiseram saber.
A entrega do donativo angariado na fase inicial do projecto
Depois foram os jornalistas, a quem expliquei os objectivos da viagem do projecto em si: a divulgação da instituição e a demonstração de que simplificar, concentrar-se na solução e manter-se positivo(a) são três estratégias fundamentais para melhorar as nossas vidas.

Por fim, e para completar a primeira fase do projecto, a entrega do cheque de 600€ de donativo, resultante da angariação inicial que tinha levado a cabo para financiar o projecto na sua globalidade.

Com os meus pais e o meu irmão
Fechou-se assim mais uma fase do Pé Descalço: depois da fase de angariação financeira, a viagem, agora já realizada (com nota máxima, pois esperava demorar 2 a 3 semanas e consegui superar as perspectivas mais optimistas!). Agora resta a terceira fase, a escrita do livro (e a descoberta da editora que o vai publicar!).
Aqui fica desde já o meu agradecimento a todos os que, de uma forma ou de outra, me ajudaram a chegar até aqui! Muito e muito obrigado!! 

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

O que faz um prato de dobrada!

Paris é uma cidade especial, lindíssima, portentosa, vasta e diversa, mas ainda assim o pináculo da forma como os franceses tendem a ver a vida, a preto e branco. Nao me interpretem mal, tem a ver com "tem bilhete ou nao tem bilhete?", ou com "tem como pagar ou nao?": para eles ou é ou ao é, pronto! Por nao ter consciencia disso passei 2 dias e meio às voltas em Paris, encalhado. E foi nestas circunstâncias que tive uma das mais poderosas ecperiências da viagem.

Como devem imaginar, ao terceiro dia encalhado (17 negas em comboios e bilheteiras, trabalho nem vê-lo e um dia a tentar apanhar boleia para fora da cidade sem sucesso, uma noite numa arrecadaçao de um hotel e outra a aproximar-se sem local para dormir) a minha mente começou a exigir que a "alimentasse" de forma clara com auto-conversa positiva para manter o nível de concetraçao em cima durante todo o sábado. Foi neste contexto que dou de caras com um restaurante português, na zona de Gentilly.
"FIXE!!", pensei! Entrei e pedi trabalho... nao dava, poderia tentar no outro restaurante mais acima... Ok, disse, e já tinha a mochila às costas quando a D.a Fernanda me perguntou "Olha lá, mas tu almoçaste hoje?", "Eu nao...", "Entao senta-te aí e come connosco! Haá dobrada!!", "Mas eu nao tenho como pagar!...", "Nós oferecemos!! anda daí, senta-te que já te trago o prato!".
A sensaçao foi de indescritível alegria... Além da delicia que estava a fome que ja remoia ha um dia tratou do resto, e comi ate a ultima gota de molho! Mas nao ficou por aqui!

Subindo a rua, na pastelaria portuguesa, a D.a Eugénia, que nao tinha trabalho para mim, enfiou-me dois pastéis de nata e um pao de chocolate no saco, e no restaurante seguinte, mesmo sem trabalho para me dar, sugeriram que passasse na igreja mais acima na rua, que era da comunidade portuguesa (a fachada é a da foto).

Tudo isto arrumou com a minha compustura, e dei por mim quase a chorar sozinho na rua. O abraço que aquela gente me tinha dado, sem me conhecer, mexeu imenso comigo... foi encantador, sem dúvida, mas ao final de 10 dias a aguentar a pressao foi demolidor. Lembrei-me entao de uma coisa que o meu padrinho (pe Joao Mónica, que já nao está connosco) me tinha dito uma vez: "quando estiveres a rasca e precisares de desabafar arranjar um padre, normalmente tem paciencia e podem ser dar-te um abraco amigo!"... Assim fiz.

No final da missa passei pela sacristia, e foi com muita emoçao que "despejei o saco" com o pe. JOsé anastácio, madeirense, que muita paciencia teve para me ouvir! E, imaginem, no final ainda me ofereceu o jantar la em casa e o chao da sala para eu dormir!! Foi indescritível!!!

Por tudo isto senti que devia agradecer a toda aquela comunidade, e no final da missa (no domingo) lá subi ao "palanque" para contar o que estava a fazer e agradecer a forma como fui acolhido. Pois, imaginem, nao só me brindaram com uma salva de palmas como, de repente e assim do nada, todos queriam saber mais e acabei com dinheiro no bolso para chegar quase a Portugal!!!

No fim do dia, quando apanhei o comboio, o meu coraçao estava radiante: Paris havia sido demolidor, primeiro, para se tornar um evento revelador do que uma comunidade unida pode fazer, consegue fazer... Obrigado, comunidade portuguesa de Gentilly, obrigado pe. Zé!

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

A Vida e Bela!!

E o titulo de um filme, mas mais do que isso e a mais sublime sensacao que me parece que um ser humano pode almejar!

Estou a viajar ha 8 dias. Comecei no norte da Suecia, sem dinheiro, sem computador e sem telefone, so eu, a mochila, maquina fotografica e tres doses de cereais com leite em po e Nestum. Nestes 8 dias passei por varias provacoes, como alguma fome, muito frio e as interrogacoes diarias do tipo "e agora?!".
Pois bem, descobri ate agora que, por mais dura que seja a provacao, posso sempre escolher sorrir e procurar a solucao descontraidamente. O que sinto, no fundo, e uma grande paz e a certeza, no fundo, de que a vida e bela!

Olhem para a casinha da foto: mesmo com a neve e frio extremo a sua volta, quem esta la esta quente e confortavel, e porque? Porque ao fazer a casa a preparou para as maiores intemperies! Pois bem, eu sinto-me como os habitantes da casa: pode estar tudo mal, posso estar a morrer de frio ou fome, posso nao saber onde vou dormir ou sequer se terei um sitio limpo e seco para o fazer, mas na minha mente eu estou bem! Foi isso que me trouxe ate aqui, e isso que me permite sentir, sempre, que a vida e bela! Como dizem os americanos, your mindset is everything (o teu estado de espirito e tudo)... Va la, avida e bela!!

Agora vamos la voltar para Portugal (como ainda nao sei, mas sei que vou conseguir!).
Ate a proxima paragerm!!

NOTA: desculpem os erros e acentos, mas estou a usar umteclado belga, sistema AZERTY... e o melhor que consigo!!

sábado, 9 de fevereiro de 2013

A fragilidade do que temos como garantido!

Foi assim o fim da primeira de 3 refeicoes de Nestum... foi a primeira vez na minha vida que senti que podia ficar sem comida, na verdadeira e total acepcao da palavra... foi uma sensacao muito estranha. A ideia original do projecto era atirar-me para fora da zona de conforto... Done!
No extremo oposto, conseguem imaginar a alegria que foi receber uma refeicao das maos da hospedeira da SAS?! Subitamente aquele pacote nao era um reles pequeno-almoco de aviao, era uma sublime oportunidade de comer uma refeicao completa, coisa que poderia nao acontecer tao cedo!
 
Acreditem em mim: a nossa vida esta cheia de coisas boas as quais nao damos NENHUM valor... Agradecamos as coisas que temos diariamente, so porque as temos... isso e um privilegio enorme, sem que o saibamos somos abastados!
 
Amanha voltarei a escrever, assim tenha oportunidade. Ha mais descobertas para partilhar!
O prometido e devido (desculpem os acentos, mas o teclado nao da para mais).

A biblioteca da universidade quando cheguei, algures entre -10 e -15 graus Celsius

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Ja ca estou!!

Bom dia!!

Cheguei hoje de manha a Skelleftea, ainda nao consegui um pc que permita fazer upload das fotos mas aqui fica uma amostra (com muito menos neve do que esta agora!!) do local onde estou, a Universidade. A senhora simpatica da recepcäao, cujo nome nao consigo pronunciar, deixou-me usar este pc.

Estou a procura do meu pouso para a noite, e a preparar-me para mais uma trade GELADA (-17graus, acho eu)... Isso e a habituar-me a este teclado (ö ä å µ ¤ e outras coisas) !!

Anseio por umm banho e uma sopa de caldo verde, mas de resto estou muito bem.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Fazer a mala prá Ryanair é exigente!

Estou a juntar as coisas que levarei, e dei de caras com as restrições da Ryanair... É justo, assumindo que o preço é o de umas calças!!